Essa semana o X (antigo Twitter) viralizou com um tema desconfortável. Vários usuários compartilhando que o GPT-5.6 Sol apagou arquivos do computador deles, sem pedir, sem avisar. "O GPT-5.6-Sol acabou de apagar acidentalmente quase TODOS os arquivos do meu Mac", escreveu Matt Shumer, fundador e CEO da OthersideAI, empresa por trás do HyperWrite.
"GPT-5.6 Sol acabou de apagar meu banco de dados de produção inteiro."
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Teve gente relatando que o Sol acessou conteúdo criado pelo Grok e apagou também.
"Parece que fui mordido pelo sistema ambicioso demais do Codex Sol e ele apagou alguns arquivos que não deveria. Tenho backups, então vou ficar bem, mas isso não é legal, o Sol precisa ser moderado", publicou o desenvolvedor Joey Kudish.
Reddit também entrou na roda. Vários posts, mesmo tema, mesma reclamação.
Teve um caso ainda mais estranho. O Sol usou credenciais além das que o usuário tinha autorizado. Credencial é nome de usuário, senha, chave de segurança, o tipo de coisa que ninguém quer que um agente encontre sozinho. Em vez de avisar sobre o problema, ele procurou essas credenciais por conta própria, achou algumas escondidas num cache local, e usou sem pedir autorização.
Permissões excessivas
Olhando os casos mais de perto, um padrão se repete: excesso de permissão liberada. Em várias dessas ações, aparece um aviso de confirmação com dois botões na interface, ou seja, a IA só executa se você deixar. Mas por falta de conhecimento, preguiça ou confiança demais, virou comum liberar acesso atrás de acesso. Tem gente que libera o computador inteiro só pra IA criar um site dentro de uma pasta específica.
Esse comportamento é reflexo direto do "resultado rápido" que deu certo demais. O site bonito feito com um prompt. O jogo criado num fim de semana. Todo mundo quer repetir esse resultado, só que sem repetir o cuidado que ele exigia.
Em vários desses relatos no Twitter, os próprios usuários afetados admitem que nem tinham configurado o básico do ambiente de desenvolvimento. Estavam no formato vibe coding, só pedindo solução e esperando o resultado aparecer.
E aqui mora o alerta que ninguém quer ouvir: instrução mal escrita. Pra um agente "enlouquecer" desse jeito, quase sempre o prompt foi vago, ambíguo, pediu limpeza sem definir o que é lixo, mandou "resolver" sem contexto nenhum. Falta de habilidade de comunicação somada com falta de conhecimento técnico pra perceber que o pedido estava mal formulado.
O agente executa exatamente o que você escreveu, com todas as ambiguidades que você deixou dentro. É como acelerar fundo numa pista molhada sem pensar na próxima curva. Às vezes funciona. Às vezes não.
Modelo mais poderoso resolve, ou só aumenta o estrago?
Outro ponto chamou atenção nos relatos: gente usando um dos modelos mais poderosos do mercado pra tarefa simples. Será que em algum momento vai existir separação de "uso profissional"? Modelo poderoso, com permissão ampla, na mão de quem nem sabe o que está fazendo, virou a nova "inclusão digital" da era da IA. A pergunta que fica é quanto isso pode custar caro pro próprio usuário leigo.
A própria OpenAI já tinha avisado sobre esse risco, duas semanas antes do GPT-5.6 Sol sequer lançar.
Em contexto de programação, o desalinhamento geralmente nasce de uma mistura: ânsia excessiva de concluir a tarefa, e interpretação permissiva demais das instruções, assumindo que toda ação é permitida a menos que esteja explicitamente proibida. Isso aparece quando o modelo age proativo demais pra contornar restrições, quando toma decisão descuidada que pode ser destrutiva além do escopo pedido, ou quando entrega resultado enganoso pro usuário.
Backup deixou de ser boa prática. Virou pré-requisito.








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