Erling Haaland é uma estrela da Copa do Mundo, mas a maioria é IA
Erling Haaland não é mais apenas um jogador de futebol. Ele virou um personagem da internet, impulsionado por fãs e inteligência artificial. Durante a Copa do Mundo, um vídeo viralizou mostrando Haaland em um restaurante, assustado com seu próprio reflexo. Mas, surpresa: não era ele. O vídeo foi rastreado até uma esquete do comediante chinês Jin Long. Mesmo após a correção, o clipe continuou a circular. Porque, na quarta semana da Copa, a internet já tinha decidido quem Haaland é. Com ou sem IA, ele virou um personagem.
O antigo modelo de estrelato era controlar sua imagem. O novo, como mostra Haaland, é ser um personagem tão vívido que a IA faz o trabalho de divulgação por você. A celebridade se torna um personagem open-source, apenas vagamente ligado ao humano que emprestou o rosto. E a origem do fake? Veio da China, onde Haaland já é uma sensação. Ele estrelou comerciais de bebidas, tentou falar mandarim e virou meme, ganhando o apelido de Habao. Com o aumento da popularidade, ele lançou contas no Douyin e Weibo, acumulando milhões de seguidores.
Quando deepfake vira arte de fã
A questão é: o que acontece quando deepfake vira arte de fã? O fandom esportivo online funciona assim. Atletas não são mais consumidos só por lances ou entrevistas, mas como personagens com histórias e peculiaridades. Eles recebem o tratamento de fandom antes reservado a personagens fictícios. Um estudo mostrou que a Geração Z se conecta mais com atletas do que com times. E o conteúdo nas redes sociais é o maior motor desse engajamento. Quando um jogador vira personagem, os fãs deixam de ser espectadores e passam a influenciar o conteúdo.
O "fanon" — material que o público inventa para preencher lacunas — agora é altamente suscetível à IA. Não é mais necessário o atleta gerar a história; o público pode criá-la sob demanda. Não é surpresa que o deepfake de Haaland foi aceito online. O conteúdo não precisa ser real, apenas estar em personagem. E talvez o fenômeno Haaland sugira um desvio do pânico de deepfake. Embora muitos tenham sido enganados pelo vídeo, uma parte significativa do público optou por compartilhar mesmo assim.
A contradição que encanta
Haaland sempre seria uma estrela deste torneio — a primeira Copa da Noruega desde 1998, um atacante atrás da Chuteira de Ouro — mas são suas exibições de personalidade fora do campo que o tornaram o personagem principal. Futebolistas modernos deveriam ser autômatos monomaníacos, treinados pela mídia e protegidos por marcas. Mas Haaland é o oposto. Sua conta no Snapchat, com 3,3 milhões de seguidores, é uma aula de autenticidade. Ele virou uma persona adorável na internet, gerando memes, edições e interações que o tratam mais como um personagem recorrente do que um atleta.
A piada, na maioria das vezes, é a contradição. No campo, Haaland é uma máquina de gols assustadora. Fora dele, posta selfies engraçadas e vídeos cômicos. Kylian Mbappé é outro jogador que virou meme e foi "IA-ificado" na internet durante a Copa. Os memes "Ditador Mbappé" o reimaginam como Mao ou Kim Jong Un, geralmente com trilhas sonoras caóticas. O hype no futebol sempre funcionou assim; cada rumor de transferência depende da vontade dos fãs de acreditar. Mas a velha máquina de fantasia precisava de material bruto de Haaland fazendo coisas reais. Agora, a IA permite que os fãs criem novo material sob medida. A nova era depende apenas da disposição do público em manter a história viva.





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