Ex-aluno de Harvard cria assistente de IA para policiais e levanta US$ 6 milhões
David Lawrence, que um dia foi estudante de Direito em Harvard, decidiu largar a faculdade para enfrentar um problema que o incomodava profundamente: os erros de conduta policial. Tudo começou quando um tiroteio no campus envolvendo um policial gerou uma grande polêmica. Lawrence percebeu que muitos desses erros acontecem porque os policiais não têm acesso imediato às regras do departamento. Foi aí que nasceu a ideia do Blue Voice, uma startup de IA baseada em Boston, que oferece orientação em tempo real para os policiais em campo.
Três anos depois, o Blue Voice sai do modo stealth com um financiamento de US$ 6 milhões liderado por SignalFire e Las Olas VC. Hoje, policiais de 225 agências em 25 estados usam a ferramenta diariamente para garantir que suas ações estejam de acordo com os protocolos do departamento. Lawrence compara a plataforma ao Harvey, uma ferramenta de IA amplamente utilizada por advogados, ou ao OpenEvidence, que serve aos médicos.
A solução para um problema antigo
Antes do Blue Voice, os policiais que não lembravam de um protocolo específico tinham poucas opções: consultar um manual de 15 mil páginas, acordar um supervisor no meio da noite ou recorrer a ferramentas genéricas como Google ou ChatGPT, que não são treinadas para o contexto policial. Isso era um problema, já que os métodos tradicionais consumiam muito tempo e as IAs de uso geral erravam até 30% das vezes, segundo Lawrence.
O diferencial do Blue Voice é que ele é treinado com base em leis específicas de cada departamento, ordenanças locais, protocolos e diretrizes que as IAs de uso geral não conseguem acessar na internet pública. A plataforma também oferece acesso instantâneo a mapas detalhados de escolas durante emergências com atiradores ativos. Isso dá aos policiais a confiança de que estão agindo com base em informações precisas e relevantes.
Impacto real no dia a dia policial
O Blue Voice responde a uma pergunta por minuto, e Lawrence afirma que os policiais confiam na ferramenta porque ela sempre os direciona para os regulamentos originais, em vez de apenas gerar uma resposta como o ChatGPT faria. A ferramenta não dita ações, mas fornece as leis, deixando a decisão final para os policiais, que combinam essa informação com sua experiência de campo.
Nos últimos 12 meses, o Blue Voice expandiu sua base de clientes onze vezes, pois os departamentos de polícia veem resultados concretos, como redução de crimes e menos controvérsias operacionais. Em um caso recente, a ferramenta ajudou a prevenir um sequestro quando um policial novato, ao perceber um homem pressionando uma jovem a entrar em seu carro, consultou o Blue Voice. O app confirmou que a situação atendia aos critérios legais de "atração de menores", permitindo que ele agisse imediatamente.
IA e segurança pública: uma relação delicada
Em um momento em que o uso de IA pela polícia, como os sistemas de vigilância de placas da Flock Safety, enfrenta críticas crescentes, Lawrence espera que o Blue Voice prove que uma IA bem implementada pode trazer benefícios à segurança pública sem sacrificar os direitos civis. Ele, que já trabalhou para o governador de Connecticut, Ned Lamont, desenvolveu uma paixão profunda pelo serviço público e não se arrepende de ter deixado a faculdade de Direito. "Este é o melhor uso que eu poderia fazer da minha carreira e o impacto mais significativo que eu poderia ter", afirmou.
O Blue Voice, que compete com a Lexipol, apoiada por private equity, também desenvolveu recentemente funcionalidades para ajudar detetives a resolver casos arquivados. A startup está mostrando que, quando bem utilizada, a IA pode ser uma aliada poderosa para os policiais, ajudando-os a tomar decisões mais informadas e seguras.





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