A Corrida das IAs e o Sacrifício dos Livros Raros
Imagine só: livros raros, com suas páginas amareladas e frágeis, sendo destruídos para alimentar a fome insaciável das empresas de inteligência artificial. Parece cena de filme distópico, mas é uma preocupação real entre livreiros e amantes de livros. A ideia de que essas preciosidades estão sendo trituradas para treinar modelos de IA é de partir o coração de qualquer bibliófilo.
A prática, embora chocante, é uma maneira barata e rápida de digitalizar livros em grande escala. As empresas de IA estão desesperadas para avançar seus modelos, e os textos longos e envolventes dos livros são um recurso valioso. Só que, para os apaixonados por livros, a perda de cópias físicas é irreparável. O detalhe é que não precisaria ser assim.
A Tecnologia Existe, Mas Não é Usada
Desde 2009, o Google tem uma tecnologia patenteada que permite escanear livros sem destruí-los. Mas, como tudo na vida, há um porém: o processo é mais lento e caro. Além disso, não é perfeito. Problemas como distorção de texto e páginas perdidas são comuns. Para as empresas de IA, que buscam eficiência e economia, essa não é a solução ideal.
O Internet Archive, por outro lado, entende que digitalizar livros antigos requer tempo e cuidado. Eles adotam um método quase artesanal, que preserva tanto o conteúdo quanto a integridade física dos livros. Para quem está acostumado a atalhos, essa abordagem pode parecer de outro mundo.
A Resistência dos Livreiros
A desconfiança dos livreiros não é infundada. Recentemente, relatos indicaram que empresas como a ISBNdb estão facilitando a compra em massa de livros para empresas de IA. Isso gerou uma reação nas redes sociais, com muitos questionando as intenções das gigantes de tecnologia.
Algumas empresas, como OpenAI e Microsoft, estão colaborando com bibliotecas para preservar livros raros. Elon Musk, por exemplo, prometeu que sua empresa xAI não destruirá livros raros. Mas a confiança do público ainda é frágil. O ponto curioso é que, mesmo com promessas públicas, a definição do que é um "livro raro" ainda é nebulosa.
Um Futuro Incerto para os Livros Raros
Livreiros como Tomás Kenny, da Kennys Bookshop, estão tomando uma posição firme. Eles se recusam a vender livros para empresas que possam destruí-los. Para eles, é uma questão de proteger os direitos dos autores e garantir que os leitores continuem tendo acesso a essas obras.
A esperança é que a pressão pública force as empresas de IA a adotarem métodos mais cuidadosos, como os do Internet Archive. Mas a possibilidade de que livros raros se tornem ainda mais raros é uma realidade preocupante.
Eliza Zhang, que trabalha no Internet Archive, entende bem o valor desses livros. Para ela, cada coleção é importante. E é esse tipo de paixão que pode ser a chave para preservar nosso patrimônio literário em meio à corrida tecnológica. Afinal, como Zhang diz, cada página conta uma história que merece ser preservada.





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