Anthropic acusa operadores ligados à Alibaba de extrair Claude para Qwen
A Anthropic está no centro de uma disputa que vai muito além de uma simples violação de termos de serviço. A empresa acusou operadores ligados ao laboratório de IA da Alibaba, Qwen, de usarem quase 25.000 contas fraudulentas para extrair capacidades do Claude, entre abril e junho de 2026. A acusação, que ganhou força em um post na rede social X, levanta questões sobre quem pode acessar a inteligência artificial de ponta dos EUA e como as contas em nuvem são verificadas.
A Anthropic afirma que a campanha gerou mais de 28,8 milhões de interações com o Claude, focando em engenharia de software e raciocínio agentic. Essas são capacidades que tornam o Claude valioso para desenvolvedores e fluxos de trabalho empresariais. Dario Amodei, cofundador da Anthropic, está transformando essa questão em uma luta política sobre controle de exportação, argumentando que se uma entidade restrita pode acessar um modelo de ponta por meio de contas proxy, isso equivale a um acesso indireto à capacidade subjacente.
O que a Anthropic diz que aconteceu
A técnica de destilação, comum em laboratórios de IA, envolve treinar um modelo menor ou mais barato com as saídas de um modelo mais forte. A Anthropic alega que operadores externos usaram contas fraudulentas para gerar grandes volumes de respostas do Claude, que poderiam ser usadas para treinar ou melhorar outro modelo. Em fevereiro, a Anthropic já havia acusado outras empresas de campanhas semelhantes, mas a alegação contra a Alibaba é maior em volume.
A carta enviada ao Senado dos EUA destaca que a operação foi a maior conhecida contra a empresa até agora. A Anthropic está pressionando para que ataques de destilação sejam tratados como um problema de controle de exportação, especialmente quando grandes volumes de computação e infraestrutura estão envolvidos.
Por que o Qwen é o ponto de discórdia
A Alibaba fez do Qwen o centro de sua estratégia de IA, oferecendo acesso a desenvolvedores e empresas através do Alibaba Cloud Model Studio. Isso coloca o Qwen em competição direta com modelos de outras gigantes como OpenAI e Google. A acusação da Anthropic não prova que as capacidades do Qwen vieram do Claude, mas aponta que operadores afiliados à Alibaba realizaram a campanha de extração.
O momento da acusação é crucial. Se for verdade, a campanha aconteceu depois que a Anthropic já havia alertado publicamente sobre laboratórios chineses usando redes de contas para minerar o Claude. Isso sugere que o problema pode ter se deslocado de laboratórios especializados para uma empresa maior com incentivos claros para competir com laboratórios de ponta dos EUA.
Estratégia política e técnica
A Anthropic argumenta que ataques de destilação reforçam a necessidade de controles de exportação, pois a extração em larga escala ainda requer computação e infraestrutura. A carta de junho leva esse argumento ao Congresso, mirando na Alibaba como um alvo politicamente mais visível. A Anthropic se beneficia se os legisladores tratarem o acesso a modelos, a verificação de contas em nuvem e as saídas de modelos de ponta como parte do mesmo controle que os chips.
A questão não respondida é a atribuição. A Anthropic diz que pode identificar campanhas de destilação através de correlação de IP, metadados de solicitações e indicadores de infraestrutura. Esses métodos podem ser suficientes para banimentos de contas e briefings governamentais, mas não são o mesmo que um registro forense público ligando os ganhos de benchmark de um modelo aos dados derivados do Claude.
A acusação contra a Alibaba é o sinal mais claro de que os fornecedores de modelos agora veem o controle de acesso como estratégia de produto, política e defesa de propriedade intelectual ao mesmo tempo. A batalha por acesso e controle de dados está apenas começando.





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